Divagando sobre sentimentos... Parte 1
By Cathy Scarlet

Já me peguei muitas vezes refletindo sobre inúmeras coisas: o que é gostar de alguém? Como reconhecer que o outro gosta de você de verdade? Como e quando demonstrar o que sente? Pode parecer bobagens, entretanto é tudo tão complexo que meus melindres sobre todas essas ponderações serão talvez eternos. Afinal, gostar é algo muito intenso e frágil ao mesmo tempo. Portanto, não podemos achar que o tema é de simples compreensão. Isso só seria verdade se todos nós não tivéssemos conhecidos cujos relacionamentos - outrora de públicas demonstrações de afeto e amor, notórios por darem mostras de compreensão e companheirismo - não tivessem chegado a um fim, sem qualquer explicação plausível. Antes achava que era algo mais comum com casais de famosos, mas vejo que a questão de rompimento de laços afetivos atinge quaisquer pessoas indistintamente.
Por que é tão difícil manter um relacionamento nos dias de hoje? O que leva as pessoas a ficarem juntas e, de repente, terminarem tudo ou se afastarem? Tais questionamentos seriam irônicos se respondidos por mim, já que não entendo muito desse campo. Então, vamos tentar analisar a situação aos poucos, respondendo as questões iniciais desse post de modo leigo, mas crítico.
Pergunta 1: O que é gostar de alguém?
Digo isso porque há pessoas que parecem estimar apenas aqueles com quem podem sair, festejar ou compartilhar momentos de diversão. Contam pontos em relacionamentos como se tudo não passasse de um jogo, no qual é preciso atingir determinada pontuação para avançar de fase. Em contrapartida, aqueles que se afastaram por inúmeras razões — trabalho, família, estudos ou quaisquer outras responsabilidades —, mas que estiveram presentes quando mais se precisou, oferecendo apoio nos momentos difíceis, acabam sendo facilmente colocados em segundo plano simplesmente porque não possuem mais a mesma disponibilidade de antes.
Não considero justo afirmar que se gosta apenas de quem está presente nos momentos de celebração, porque a vida não é feita apenas de dias felizes. Quando sinto carinho por alguém, existe uma preocupação genuína em saber como essa pessoa está, mesmo que a convivência já não seja a mesma do passado. É uma forma de demonstrar que continuo ali, disponível para oferecer um ombro amigo, um conselho ou até mesmo um café no fim da tarde.
Quando gosto de alguém, ajo da maneira mais natural possível. Não me preocupo excessivamente com julgamentos ou com a necessidade de parecer algo que não sou. Apenas sou eu mesma.
Quando esse sentimento envolve um crush, porém, a experiência ganha outros contornos. Sinto a ausência daquela pessoa e, de certa forma, conto o tempo para revê-la. Quando estamos juntos, surge aquela vontade quase infantil de fazer o tempo parar, para que aqueles momentos não terminem tão rápido. Quero ouvir tudo o que ela tem a dizer, conhecer suas histórias, seus pensamentos e dividir experiências simples, mas significativas: assistir a um filme, caminhar em um parque, jogar videogame ou apenas conversar.
Quando realmente gosto de alguém, é como se não precisasse procurar mais ninguém. Não porque a pessoa seja perfeita, mas porque, naquele momento, ela se torna a mais interessante entre todas que já conheci.
Pergunta 2: Como reconhecer que o outro gosta de você?
Quando alguém gosta, age.
E, quando não pode agir da forma que gostaria, encontra outras maneiras de demonstrar sua presença. Um "bom dia" frequente, um "você está bem?", um "como foi seu dia?" ou qualquer outro gesto simples passam a fazer parte da rotina. São as pequenas atitudes que revelam que aquela pessoa pensou em você, mesmo quando não pôde estar ao seu lado.
Talvez eu esteja errada. Talvez existam inúmeras formas de demonstrar afeto. Mas sempre tive a impressão de que o interesse genuíno se manifesta menos nas palavras e mais na constância das ações.
Pergunta 3: Como e quando demonstrar o que sentimos?
Depois de tantos relacionamentos, envolvimentos e "lances" mal sucedidos, acredito ter criado ao meu redor uma espécie de redoma protetora cujo único objetivo é evitar que eu sofra novamente por causa de alguém. Sim, as pessoas podem ser extremamente complicadas e, muitas vezes, egoístas, principalmente quando o assunto é envolvimento afetivo sério.
No meu caso, alguém só perceberá a importância que possui para mim se realmente prestar atenção. Acho que dificilmente diria o que sinto sem antes ter uma enorme segurança em relação aos sentimentos da outra pessoa. E não, não considero isso algo positivo.
Quando gosto de alguém, costumo demonstrar de outras formas. Procuro estar presente, encontrar oportunidades para estar junto, mostrar que sinto falta daquela pessoa mesmo em meio à correria do dia a dia. Meu afeto costuma aparecer mais nas atitudes do que nas declarações.
Seria espontânea, mas deixaria claro que meu interesse vai além de ser apenas "mais uma" em sua vida.
Pergunta 4: Por que os relacionamentos amorosos são tão complicados hoje em dia?
Quando o envolvimento ainda está no início, parece haver uma busca cada vez maior por quantidade em vez de qualidade. Muitas pessoas nunca se mostram plenamente satisfeitas com quem está ao seu lado e mantêm constantemente o olhar voltado para outras possibilidades. Como se houvesse sempre algo melhor esperando logo adiante.
Quando o sentimento envolve questões românticas, a situação torna-se ainda mais delicada. Gostar de alguém é complicado porque nem sempre as pessoas se mostram sinceras desde o começo. Muitas vezes, apresentamos apenas aquilo que acreditamos ser mais atraente ou aceitável, escondendo características, inseguranças e aspectos importantes da nossa personalidade.
Descobri muitas coisas sobre meu ex-namorado apenas depois de iniciarmos o relacionamento. Isso me fez perceber que, no campo amoroso, existe uma dificuldade enorme de sermos exatamente quem somos. Seja por medo, insegurança, necessidade de aprovação, desejo de controle ou até mesmo traços mais narcisistas, frequentemente mostramos apenas uma versão parcial de nós mesmos.
Quando o relacionamento evolui para uma convivência mais intensa — especialmente no casamento —, surgem novos desafios. A proximidade revela hábitos, defeitos, manias e diferenças que dificilmente poderiam ser percebidos no início da relação. E é justamente nesse momento que muitos vínculos são colocados à prova.
Podem parecer detalhes insignificantes: estrias, viagens frequentes a trabalho, o hábito de passar horas diante da televisão, um parente invasivo, amizades que geram conflitos ou até pequenas manias do cotidiano. No entanto, quando não existe disposição para dialogar e construir acordos, essas diferenças se transformam em motivos constantes de desentendimento.
Em vez de procurar formas de adaptação mútua, muitos escolhem o caminho aparentemente mais simples: encerrar a relação.
Quantos casais se afastaram mesmo existindo amor?
Quantas pessoas saíram de relacionamentos frustradas e passaram a acreditar que jamais encontrariam alguém compatível, contentando-se com relações mornas ou emocionalmente seguras, mas incapazes de gerar verdadeiro entusiasmo?
E quantos outros, feridos por experiências anteriores, acabaram reproduzindo sua própria dor, descontando em novas pessoas sofrimentos que elas jamais causaram?
Talvez uma das maiores dificuldades dos relacionamentos modernos não esteja na falta de amor, mas na dificuldade de lidar com a vulnerabilidade que ele exige. Amar implica aceitar riscos, enfrentar diferenças, abrir espaço para o outro e reconhecer que nenhuma relação será perfeita.
E isso nem sempre é tão simples quanto gostaríamos que fosse.
Penso que as pessoas precisam deixar de lado parte do egocentrismo em que estão imersas para olhar com mais atenção para aqueles que caminham ao seu lado e compartilham suas vidas.
Quando escolhemos realmente gostar de alguém, não podemos agir apenas em função de nós mesmos. É preciso abrir espaço para o outro, confiar, permitir que ele nos conheça e participe da nossa trajetória, seja como amigo, parceiro ou familiar. E essa disposição também deve partir da outra pessoa, pois não existe relacionamento construído por apenas um dos lados.
Relacionamentos são formados por, no mínimo, duas pessoas que se empenham constantemente para fazê-los dar certo. Elas aprendem a ceder mutuamente, buscando equilíbrio nas diferenças. Dialogam em vez de transformar o silêncio em arma. Procuram compreender antes de julgar e resolver antes de desistir.
Existe um ditado que diz algo como: "casal feliz não é aquele que não briga, mas aquele que não deixa os conflitos destruírem a relação". Talvez eu não esteja reproduzindo exatamente as palavras originais, mas concordo plenamente com a ideia.
Vejo o amor — ou o afeto, o carinho, o gostar, como cada um preferir chamar — como uma rosa delicada. Para permanecer bonita e saudável, ela precisa ser regada diariamente. E essa água nada mais é do que o cuidado, a atenção, o diálogo e a disposição para enfrentar juntos os inevitáveis problemas que surgem em qualquer relacionamento.
Sei que não desejo construir uma relação sem perceber no outro essa mesma vontade de cuidar daquilo que estamos cultivando. Afinal, nenhuma flor permanece viva por muito tempo quando apenas uma pessoa se lembra de regá-la.


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