Na era dos amores descartáveis e efêmeros - PARTE 2
By Cathy Scarlet
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Por que se relacionar se tornou um jogo?
E
Por que as pessoas não permanecem?
Como prometido, após um tempo mais do que considerável, estou dando continuidade à postagem "Na era dos amores descartáveis e efêmeros - PARTE 1", na qual discorri sobre a dificuldade de algumas pessoas em manter relacionamentos duradouros — e saudáveis, vale acrescentar.
Nesta segunda parte, pretendo concentrar-me principalmente na frequente inconstância dos indivíduos nesta fatídica era pós-moderna (um dia ainda abordarei esse conceito com mais profundidade, mas vamos nos ater a um assunto de cada vez, não é mesmo?) e em como tal comportamento interfere no estabelecimento, na manutenção e, muitas vezes, no sucesso das relações amorosas significativas.
Faço questão de destacar que minha reflexão não se refere às relações estritamente sexuais. Embora elas possam representar experiências válidas e satisfatórias para muitas pessoas, nem sempre estão associadas a vínculos duradouros ou emocionalmente relevantes. E não há qualquer juízo de valor nessa constatação. Trata-se apenas de reconhecer que diferentes formas de relacionamento atendem a expectativas distintas.
Meu interesse aqui reside justamente nas relações que ultrapassam a dimensão do desejo imediato e buscam construir algo que envolva afeto, cumplicidade, confiança e permanência. Afinal, em uma sociedade marcada pela velocidade, pela descartabilidade e pela constante substituição de pessoas, ideias e experiências, até que ponto ainda estamos dispostos a permanecer quando o encanto inicial cede lugar aos desafios inevitáveis da convivência?
E o que me traz, mais uma vez, a uma temática tão complexa? Porque, convenhamos: quando o assunto envolve nós, seres humanos imperfeitos, contraditórios e, por vezes, excessivamente complicados, dificilmente encontraremos uma resposta única ou definitiva capaz de encerrar qualquer debate. Pelo contrário, cada nova experiência parece abrir espaço para mais questionamentos, interpretações e perspectivas.
Além disso, trata-se de um tema inevitavelmente polêmico. Basta mencioná-lo para despertar expectativas, discordâncias e reflexões, o que o torna um verdadeiro campo fértil para discussões. E, convenhamos, nunca é demais contribuir para um debate democrático e enriquecedor acerca das inúmeras situações que permeiam nossas vivências neste mundinho de Deus.
Se cada pessoa carrega consigo uma história, valores, feridas, desejos e expectativas distintas, nada mais natural do que existirem diferentes formas de enxergar os relacionamentos e seus desafios. Compartilhar experiências e pontos de vista não significa estabelecer verdades absolutas, mas ampliar horizontes e compreender melhor a complexidade que existe por trás das escolhas humanas.
Então, sem mais delongas... bora lá!
Não são raros os casos de pessoas que afirmam estar em busca de um relacionamento sério ou, ao menos, de alguém com quem compartilhem afinidades, valores e objetivos. Contudo, de maneira surpreendente, algumas dessas mesmas pessoas acabam se embrenhando naquilo que costumo chamar de "jogo do amor" ou, como diria Lady Gaga, em seu provocativo LoveGame.
E não faltam referências musicais a essa dinâmica. Há também The Game of Love, de Santana e Michelle Branch, entre tantas outras canções que exploram a temática. Embora cada uma o faça à sua maneira, todas acabam tangenciando aspectos pouco saudáveis desse "jogo": a excessiva sexualização das relações, a busca por controle ou domínio sobre o outro, a dependência emocional desprovida de reciprocidade e a instabilidade constante que acompanha esse tipo de interação.
E convenhamos: viver sem saber se os próprios sentimentos são correspondidos já é desgastante. Mais desgastante ainda é nunca saber se existe exclusividade, sinceridade ou real interesse por parte da outra pessoa. A dúvida permanente corrói aquilo que deveria servir de base para qualquer vínculo significativo: a confiança.
O que se observa, muitas vezes, é uma combinação curiosa e contraditória. Ao mesmo tempo em que existe um profundo receio de comprometimento, há também uma intensa necessidade de possuir o outro — ou, ao menos, de monopolizar sua atenção, seu tempo, seu afeto e suas expectativas. Não necessariamente porque se deseja construir algo concreto, mas porque a validação recebida funciona como combustível para o ego e para a autoestima.
Parece contraditório? Talvez. Mas é justamente desse néctar que algumas pessoas parecem se alimentar: do interesse alheio, da esperança cultivada no outro e da segurança proporcionada por saber que alguém permanece disponível emocionalmente. O problema é que, frequentemente, tal investimento não é retribuído na mesma medida. Recebe-se muito, oferece-se pouco; exige-se presença, mas evita-se responsabilidade; deseja-se atenção, mas teme-se reciprocidade. E é nesse desequilíbrio que muitos relacionamentos acabam se perdendo antes mesmo de realmente começarem.
This is the GAME OF LOVE or THE LOVE GAME! 😎
Ordinariamente surreal. Contudo, sua complexidade nos conduz muito além de uma abordagem simplista. Entendam: nada que envolva a espécie humana é simples. Absolutamente nada.
Tudo é complexo e, ouso dizer, "complexiona-se" ainda mais (sim, inventei essa palavra). Ramifica-se, multiplica-se e transforma-se em um emaranhado de sentimentos, conflitos, expectativas, receios e possibilidades. Há soluções para quase tudo, mas poucas são efetivamente colocadas à prova — ou, ao menos, menos do que deveriam. E sabem por quê? Porque temos medo das soluções.
Nem sempre elas correspondem ao final feliz que idealizamos. Muitas vezes, limitam-se a poupar-nos de complicações maiores ou a afastar-nos do objeto de nossa discórdia. E, sejamos sinceros, nem sempre é isso o que desejamos. Somos seres movidos por esperança — ou hope, para manter o charme da palavra — e ansiamos pelo melhor cenário possível. Queremos acreditar que tudo se resolverá da maneira mais favorável, que o lado bom prevalecerá, que a história encontrará um desfecho satisfatório.
Só que a vida raramente consulta nossos roteiros antes de seguir adiante.
Gostamos de acreditar na força da esperança, mas esquecemos que até mesmo Darth Vader escolheu o próprio destino. Suas circunstâncias influenciaram seu caminho, sem dúvida, mas suas decisões também tiveram peso. E o mesmo vale para nós. Não estamos imunes aos obstáculos que surgem no convívio com o outro, tampouco às consequências das escolhas que fazemos diante deles.
Talvez por isso os impasses pareçam ainda mais intensos nesta era pós-moderna, especialmente quando caminham de mãos dadas com os avanços tecnológicos. Aproximamo-nos virtualmente enquanto, muitas vezes, nos afastamos emocionalmente. Dispomos de inúmeras formas de comunicação, mas parecemos cada vez menos preparados para sustentar conexões profundas e duradouras.
Os motivos para isso são inúmeros e renderiam uma discussão praticamente interminável. Não é esse, entretanto, o objetivo deste texto. Por ora, basta destacar um aspecto que considero fundamental: não fomos educados para lidar bem com os obstáculos, as frustrações e as dificuldades inerentes às relações humanas.
E, diante disso, não são poucos aqueles que abandonam o barco ao primeiro sinal de tempestade, confundindo qualquer dificuldade com a certeza de que o relacionamento não vale a pena. Como se permanecer, dialogar, ajustar rotas e enfrentar desafios em conjunto tivesse se tornado algo mais assustador do que partir.
Ué, mas tem diferença entre relação e relacionamento?
Tecnicamente, não.
Mas faço essa diferenciação dentro de um contexto mais específico para facilitar o uso dessas nomenclaturas ao longo do texto. Na minha concepção — ao menos para os fins desta reflexão —, relacionamentos seriam os laços mais duradouros construídos com outros indivíduos, amorosamente ou não. Já as relações corresponderiam a situações mais momentâneas de envolvimento, também amorosas ou não.
É apenas uma forma de organizar as ideias e delimitar melhor as abordagens dentro da minha cabecinha. 😉
Então, não encanem muito com esses pormenores. Eles existem mais para facilitar a discussão do que para estabelecer uma definição absoluta.
E como tu sabe que não estamos prontos para lidar com as dificuldades nas relações com as pessoas?
Ora, basta olharmos algo muito em voga atualmente: os APLICATIVOS DE RELACIONAMENTO!
Os apps de relacionamento se tornaram uma febre no século XXI, aproximando e distanciando as pessoas, ao mesmo tempo
Desenvolvidos com a proposta de conectar pessoas em busca de relacionamentos, os aplicativos acabaram se tornando grandes facilitadores das interações interpessoais. Graças a eles, podemos conhecer indivíduos que, muito provavelmente, jamais cruzariam nosso caminho na rotina comum do dia a dia.
E, até esse ponto, tudo parece maravilhoso. Afinal, ampliar possibilidades, encurtar distâncias e permitir que pessoas com interesses semelhantes se encontrem soa como uma excelente ideia.
Certo?
Conectar-se com outras pessoas virtualmente se tornou uma realidade de dupla amplitude: positiva e negativa
Peraí! Tudo tem um but para você!
(Rindo litros, mas sem qualquer malignidade.)
Ainda assim, algumas constatações me permitem defender uma ideia que talvez soe polêmica: os aplicativos de relacionamento parecem ter se afastado, ao menos em parte, de sua finalidade original.
Antes que alguém pegue uma tocha e venha me perseguir pela internet, explico meus motivos:
1. Muitos usuários buscam exclusivamente sexo casual
E não há nada de errado nisso, desde que exista honestidade entre as partes. O problema surge quando um aplicativo criado para conectar pessoas em busca de relacionamentos passa a ser utilizado majoritariamente para encontros passageiros, criando expectativas desencontradas entre aqueles que o frequentam.
2. Há pessoas comprometidas procurando envolvimentos paralelos
Infelizmente, não são raros os casos de indivíduos casados ou comprometidos que utilizam essas plataformas para buscar relações extraconjugais. Em situações mais delicadas, chegam a se apresentar como solteiros, omitindo informações importantes e conduzindo a outra pessoa a uma situação para a qual ela talvez jamais consentisse se conhecesse toda a verdade.
3. Nem todos são sinceros sobre quem são ou sobre o que procuram
Talvez este seja um dos aspectos mais frustrantes. Muitas pessoas dizem exatamente aquilo que acreditam que o outro deseja ouvir. Algumas escondem suas reais intenções; outras criam versões idealizadas de si mesmas. No fim, as cartas raramente são colocadas sobre a mesa desde o início.
4. Existem aqueles que buscam vantagens emocionais ou financeiras
Embora felizmente não representem a maioria, há quem utilize aplicativos para manipular emocionalmente outras pessoas ou até mesmo para aplicar golpes. A promessa de afeto e conexão pode se transformar em uma ferramenta de exploração quando cai nas mãos erradas.
5. A lógica da substituição tornou-se cada vez mais presente
Este talvez seja o ponto que mais me chama a atenção. Em muitos casos, não se trata de falta de afinidade ou incompatibilidade legítima. Trata-se da sensação permanente de que existe alguém "melhor" a poucos deslizes de distância na tela.
A abundância de opções transforma pessoas em itens de um catálogo infinito. Hoje alguém desperta interesse; amanhã surge outra possibilidade; depois uma terceira. E assim sucessivamente. Nessa dinâmica, a insatisfação constante parece alimentar a busca incessante por novidades, tornando a permanência cada vez mais rara.
Não estou falando aqui da decisão saudável de encerrar um vínculo que não faz sentido. Refiro-me à substituição motivada por razões superficiais, quando o outro deixa de ser visto como indivíduo para se tornar apenas mais uma opção descartável entre tantas disponíveis.
Poderia listar inúmeras outras razões, mas acredito que essas cinco já sejam suficientes para ilustrar meu ponto de vista e explicar por que tantas conexões parecem incapazes de se sustentar ao longo do tempo.
Por isso, talvez a pergunta não seja se os aplicativos de relacionamento perderam completamente sua finalidade original, mas até que ponto ela foi sendo diluída por comportamentos, expectativas e dinâmicas que transformaram a busca por conexão em algo muito diferente daquilo que inicialmente se propunha.
Devemos, então, exterminar os aplicativos de relacionamento da face da Terra?
Bom, eu não iria tão longe.
Soluções extremistas costumam ter um pequeno problema: sua inexorabilidade. Ao eliminar aquilo que consideramos prejudicial, muitas vezes acabamos eliminando também as exceções positivas que coexistem com ele.
E, graças a Deus (thanks God!), elas existem.
Ainda há aqueles raros indivíduos que parecem escapar das possibilidades negativas que enumerei anteriormente. Pessoas que, mesmo quando não desejam um relacionamento sério, são honestas quanto às suas intenções desde o início. Pessoas que não alimentam falsas expectativas, não manipulam sentimentos alheios e não fazem gato e sapato de quem decidiu confiar nelas.
São raridade? Sem dúvida.
Quase espécimes em extinção? Talvez.
Mas existem. E o simples fato de existirem já é motivo suficiente para que eu não atribua aos aplicativos toda a culpa pelos problemas que observamos atualmente. Afinal, ferramentas não determinam sozinhas o comportamento humano; elas apenas potencializam aquilo que seus usuários decidem fazer com elas.
💓
Retornando ao cerne da questão: por que o amor — ou, de forma mais ampla, o ato de se relacionar — parece ter se transformado em um jogo?
Talvez porque a empatia tenha se tornado cada vez mais escassa em determinadas esferas da vida contemporânea.
Vivemos no século XXI. Conhecemos inúmeras injustiças históricas, sociais e culturais. Dispomos de tecnologias capazes de aproximar pessoas separadas por continentes inteiros. Conversamos diariamente com indivíduos de diferentes culturas, visões de mundo e modos de existir. Temos acesso a uma quantidade de informação que gerações anteriores sequer poderiam imaginar. Em teoria, tudo isso deveria ampliar nossa compreensão do outro e enriquecer nossa experiência humana.
Mas a realidade parece mais complexa.
Embora tenhamos expandido nossas formas de comunicação, nem sempre ampliamos nossa capacidade de escuta. Embora estejamos mais conectados do que nunca, nem sempre estamos mais dispostos a compreender aqueles que nos cercam. Em muitos casos, continuamos presos às próprias necessidades, desejos e expectativas, colocando-os acima dos sentimentos, dos sonhos e das fragilidades alheias.
Não se trata de uma característica exclusiva desta geração ou deste período histórico. O egoísmo sempre acompanhou a trajetória humana. Contudo, a velocidade das relações contemporâneas parece potencializá-lo. Quando tudo se torna imediato, substituível e abundante, o outro corre o risco de deixar de ser percebido como sujeito para transformar-se apenas em um meio de satisfazer necessidades emocionais, afetivas ou mesmo narcísicas.
E é justamente nesse ponto que o relacionamento deixa de ser encontro e passa a se aproximar de um jogo: o objetivo deixa de ser construir algo com alguém e passa a ser obter aquilo que o outro pode oferecer — atenção, validação, desejo, companhia ou admiração — sem que exista, necessariamente, a mesma preocupação em oferecer algo equivalente em troca.
E o outro? Bom, que se dane!
Esse modo de agir e pensar acaba nos levando a encarar tudo como uma competição em que apenas o melhor merece permanecer. O mais sedutor. O mais eloquente. O mais popular. O mais bonito. O mais interessante. O mais bem-sucedido.
Pouco a pouco, cria-se uma lógica perigosa: a de que precisamos ser melhores do que todos ou encontrar alguém melhor do que todos.
E é justamente aí que começamos a nos esvaziar.
Porque o que sobra quando nada parece suficientemente bom? O vazio.
O que sobra quando transformamos pessoas em uma sucessão infinita de experiências a serem consumidas? Novamente, o vazio.
Tornamo-nos insatisfeitos. Passamos a exigir padrões inalcançáveis de pessoas reais e, em alguns momentos, até de nós mesmos. Criamos expectativas incompatíveis com a própria condição humana, como se estivéssemos em busca de seres perfeitos ou como se nós próprios devêssemos ocupar um pedestal acima das imperfeições comuns à existência.
E esquecemos algo fundamental: pessoas reais são falhas.
Possuem defeitos, inseguranças, contradições e, sim, algumas manias absolutamente irritantes de vez em quando.
E não há nada de errado nisso.
Na verdade, talvez seja justamente isso que as torna humanas.
Mas o que acontece com quem não foi considerado "o melhor"? Com quem foi descartado nesse jogo silencioso e, muitas vezes, cruel?
Em muitos casos, surge a sensação de inadequação. A pessoa começa a questionar o próprio valor, a aparência, a personalidade e até mesmo sua capacidade de ser amada. Passa a procurar em si defeitos que talvez nunca tenham sido o verdadeiro motivo do afastamento do outro.
É nesse terreno que florescem inúmeras dores emocionais. Ansiedade, tristeza profunda, baixa autoestima, distúrbios do sono e outras formas de sofrimento podem surgir ou se intensificar após experiências repetidas de rejeição, abandono ou desvalorização.
Até o brilho do olhar parece diminuir.
Muitas dessas pessoas não sabem jogar esse jogo. E talvez nem queiram aprendê-lo. Acreditam, sinceramente, que estão construindo uma conexão ou sendo conquistadas por alguém. Investem tempo, afeto, confiança e expectativas. Até que, em determinado momento, descobrem que estavam participando de uma partida cujas regras jamais lhes foram explicadas.
E isso dói.
Dói porque confiança quebrada não desaparece instantaneamente. Dói porque expectativas frustradas deixam marcas. Dói porque a decepção obriga muitos indivíduos a reconstruírem a própria segurança emocional depois de terem acreditado em algo que, para a outra parte, talvez nunca tenha tido a mesma importância.
É cruel. Desnecessariamente cruel.
Independentemente das justificativas apresentadas, quando tratamos pessoas como peças substituíveis em um jogo de validação, quase sempre deixamos consequências que ultrapassam o momento da ruptura. E talvez seja justamente por isso que devêssemos refletir mais sobre a forma como entramos e saímos da vida uns dos outros.
E eu com isso? O importante sou eu!
Trata-se de uma postura profundamente egocêntrica. Comum? Sem dúvida. Sensata? Nem tanto.
E me perdoem se isso soa ofensivo, mas não vivemos isolados. Somos seres sociais. Dependemos uns dos outros de inúmeras formas, ainda que nem sempre percebamos isso.
Além disso, sempre acreditei na expressão popular de que "o mundo dá voltas". Não necessariamente em um sentido místico ou sobrenatural, mas porque nossas ações possuem consequências. Aquilo que fazemos hoje pode reverberar amanhã, alcançando-nos de maneiras que sequer imaginávamos.
Há quem chame isso de carma. Há quem prefira falar em causa e efeito. Há quem não acredite em absolutamente nada disso. Independentemente da nomenclatura escolhida, existe uma verdade difícil de ignorar: nossos comportamentos influenciam outras pessoas.
Somos exemplos, referências e, muitas vezes, modelos involuntários para aqueles que convivem conosco. Nossas atitudes ajudam a moldar ambientes, expectativas e formas de interação que podem atravessar gerações.
Por isso, quando a falta de empatia se torna regra e não exceção, as consequências extrapolam o campo individual. O problema deixa de ser apenas uma decepção amorosa ou um relacionamento fracassado. Passa a refletir uma lógica social mais ampla, na qual o respeito ao próximo, a responsabilidade afetiva e até mesmo o senso de coletividade vão sendo gradativamente enfraquecidos.
Nada surge do acaso.
Os comportamentos que observamos na sociedade são, em grande medida, reflexos dos valores que cultivamos e reproduzimos diariamente. Somos parte dessa estrutura e, consequentemente, também somos responsáveis por ela.
Se nos acostumamos a agir sem empatia, sem consideração pelos sentimentos alheios e sem refletir sobre os impactos de nossas escolhas, acabamos contribuindo para a manutenção de um modelo que tende a se perpetuar ao longo do tempo.
E talvez seja justamente aí que resida uma das maiores responsabilidades humanas: compreender que nossas ações raramente afetam apenas a nós mesmos.
💓
Em suma, como exemplifiquei ao longo desta reflexão, especialmente ao abordar os aplicativos de relacionamento, a não permanência das pessoas na vida umas das outras parece estar intimamente ligada a essa constante insatisfação e à busca vazia por uma perfeição que simplesmente não existe.
As pessoas se constroem no convívio com outras pessoas. É nesse encontro cotidiano que compartilhamos experiências, aprendemos, amadurecemos e passamos a atribuir significado à nossa própria trajetória. De certo modo, ganhamos sentido também pelo simples fato de pertencermos ao cotidiano do outro.
No entanto, se não nos permitirmos ser surpreendidos, corremos o risco de abandonar relações potencialmente significativas por motivos superficiais. E, nesse processo, acabamos ferindo não apenas aqueles que cruzam nosso caminho, mas também a nós mesmos. Criamos um ciclo de frustrações, inseguranças e decepções que atinge todas as partes envolvidas.
Por isso, sejamos claros quanto às nossas intenções. Sejamos honestos quanto aos nossos sentimentos. E, acima de tudo, permitamo-nos mais. Preocupemo-nos mais. Conectemo-nos mais.
Relacionamentos saudáveis e duradouros não se constroem a partir de jogos de interesse, disputas de ego ou da incessante busca por "quem é o melhor". Eles nascem do respeito, da reciprocidade, da admiração mútua e da disposição de construir algo ao lado de alguém igualmente humano, falho e imperfeito.
Não adianta perseguir o irreal quando o real pode ser infinitamente mais surpreendente do que imaginamos.
E, por fim, sejamos felizes — e, se possível, contribuamos para a felicidade daqueles que caminham ao nosso lado. A vida deveria ter um pouco mais disso: felicidade compartilhada.
De infelicidade, convenhamos, já bastam os boletos chegando todo mês.
Be good! Be happy!
XOXO
FONTES DAS IMAGENS
https://www.buzzfeed.com/ramosaline/unbelievable-stories-of-betrayal
https://vippy.me/blog/quem-disse-que-nao-da-pra-encontrar-um-grande-amor-em-aplicativos-de-relacionamento/
https://anapolisnoticias.com.br/mulher-de-anapolis-descobre-que-fotos-de-seu-namorado-estava-sendo-usado-em-perfil-do-tinder/





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