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By Cathy Scarlet





Fiquei pensando em qual poderia ser um tema interessante para uma primeira postagem. Não sou exatamente exímia em estreias. Antes de mais nada, porém, preciso explicar por que escolhi "Elopement & Ascension" como nome deste blog.

Em um primeiro momento, quem conhece um pouco de inglês pode imaginar que o objetivo aqui seja falar sobre romances e assuntos melosos, já que o sentido mais comum do verbo to elope é fugir para se casar — algo bastante frequente em séculos passados, quando os casamentos arranjados ainda eram uma realidade. No entanto, ao pesquisar melhor o termo (sim, eu também fiquei confusa quando o escolhi), descobri outro significado possível para elopement: partir sem a intenção de retornar ao ponto de origem.

Mas não interpretem essa ideia como uma fuga da realidade. Afinal, as pessoas já passam boa parte da vida fugindo umas das outras e, muitas vezes, de si mesmas. A proposta deste espaço é justamente o contrário: compartilhar reflexões, questionamentos e experiências que nos permitam deixar de ser aquilo que éramos antes de determinado encontro, leitura, acontecimento ou descoberta sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor.

É aí que entra a segunda parte do nome: ascension. Mais do que uma elevação intelectual, penso nela como um movimento de crescimento, compreensão e amadurecimento. Um processo que nos leva para além das análises superficiais e nos convida a refletir sobre nossos atos, nossas escolhas e, quem sabe, transformá-los.

Sim, eu costumo falar demais. Coisa de professora. Ainda assim, queria deixar clara a intenção deste espaço para que não nos percamos pelo caminho — nem vocês, nem eu. Este será um cantinho para reflexões, discussões e trocas de ideias. Ou, na pior das hipóteses, um lugar onde eu conversarei comigo mesma até que alguém resolva aparecer por aqui.

Feita essa longa introdução, quero aproveitar esta primeira postagem para abordar algo que considero essencial e que, de certa forma, está diretamente ligado à proposta deste blog.

Ao longo dos meus primeiros anos como professora, deparei-me com uma realidade que passou a me inquietar cada vez mais: a alienação. Não me refiro à fuga transformadora que mencionei anteriormente, aquela que nos permite abandonar antigas versões de nós mesmos para crescer. Refiro-me à fuga da realidade, ao afastamento do mundo e de suas complexidades.

Muitas vezes, observo pessoas tão absorvidas por suas próprias bolhas que parecem incapazes de enxergar aquilo que acontece ao seu redor. É como se vivessem em mundos particulares, desconectados das questões que afetam a sociedade, das oportunidades que possuem e até mesmo das próprias capacidades. Talvez essa seja uma discussão longa demais para um único texto, mas ela ajuda a explicar uma das razões que me levaram a criar este espaço.

Desde muito nova, costumava pensar e agir de maneira mais séria do que a maioria das crianças da minha idade. Pensava no que queria ser quando crescesse, preocupava-me com meu comportamento na escola e tinha verdadeiro pavor da possibilidade de meus pais serem chamados para ouvir alguma reclamação — algo que, felizmente, nunca aconteceu.

Também sonhava em deixar uma marca positiva no mundo. Queria ser lembrada por meus próprios méritos, tornar-me escritora e contribuir de alguma forma para a vida das pessoas. Lia de tudo o que aparecia pela frente e nunca me intimidei diante de textos mais densos ou temas difíceis. A leitura e a escrita sempre foram parte fundamental da minha identidade.

Reconheço que muito disso se deve à educação que recebi. Meus pais sempre se preocuparam em me ensinar valores, responsabilidade e respeito pelas pessoas ao meu redor. Sou profundamente grata por isso. Não porque me considere perfeita — longe disso —, mas porque me ajudaram a construir a pessoa que sou hoje.

Durante muito tempo, alimentei a esperança de que poderia transformar positivamente a vida de cada aluno que passasse por minha sala de aula. Imaginava um efeito em cadeia: uma mudança individual gerando outras mudanças, que alcançariam ainda mais pessoas.

Talvez esse desejo continue existindo em algum lugar dentro de mim.

O problema é que, ano após ano, vejo crianças, adolescentes, jovens e até adultos caminhando sem direção clara. Vejo pessoas que desconhecem suas próprias potencialidades, que se acomodam diante das dificuldades ou que simplesmente deixam de acreditar em si mesmas. Não é uma questão de falta de inteligência, mas, muitas vezes, de falta de propósito, incentivo ou perspectiva.

E isso me assusta.

Apesar de todas as reclamações que faço sobre meus alunos — que falam demais e escutam de menos —, tenho um enorme carinho por eles. Preocupo-me com o futuro que encontrarão fora dos muros da escola. O mundo dificilmente será paciente com seus medos, compreensivo com seus erros ou gentil com suas limitações.

Talvez eu nem devesse me preocupar tanto. Afinal, poucos se lembrarão de mim depois que o ano letivo terminar. Alguns mal lembram que os professores existem durante o próprio ano escolar.

Ainda assim, não consigo ser indiferente.

Mesmo quando seguem seus caminhos, levam consigo alguma coisa daqueles que passaram por suas vidas: uma conversa, uma bronca, uma palavra de incentivo, um conselho, uma lembrança. E, da mesma forma, também deixam algo em nós. Talvez seja por isso que eu nunca tenha conseguido assumir a postura distante que alguns consideram necessária para exercer a profissão.

Além dos meus alunos, penso também em todas as pessoas que buscam compreender realidades diferentes das suas. Pessoas que ainda acreditam que ler pode ser mais do que entretenimento; pode ser uma forma de ampliar horizontes, questionar certezas e enxergar o mundo sob novas perspectivas.

As palavras não mudam o mundo sozinhas, mas têm o poder de transformar a maneira como nos relacionamos com ele. Por isso, se alguém algum dia encontrar este blog e dedicar alguns minutos à leitura de seus textos, espero que leve consigo alguma reflexão, uma nova pergunta, uma indicação de livro, um filme ou mesmo uma inquietação produtiva.

Em última análise, este espaço não existe para falar sobre mim, embora inevitavelmente carregue muito daquilo que sou. Existe para servir como ponto de partida para reflexões maiores do que qualquer experiência individual.

Talvez, daqui a cem anos — ou quem sabe alguns milênios — ninguém se importe em saber quem foi a autora destas palavras. E tudo bem. O que realmente espero é que aquilo que foi pensado, escrito e compartilhado aqui consiga dialogar com alguém, em algum lugar, de alguma forma.

Se isso acontecer, então este blog já terá cumprido seu propósito.

E o restante ficará por conta do olhar de quem decidir se perder por aqui durante alguns instantes.














XOXO

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